Comentário de Armando Silva Afonso: "Os edifícios 'Zero' e o ordenamento do território"

16.05.2016

Os edifícios “zero-energy” estão já num horizonte próximo. Depois, virão provavelmente os edifícios “zero-water” e outros, como os “zero-nutrients”…

 

Na verdade, os edifícios tendem a ser, cada vez mais, unidades autónomas, desligadas das redes de infraestruturas que tanto condicionaram o ordenamento do território e o urbanismo ao longo dos últimos séculos. Se acrescentarmos a estas autonomias as tendências crescentes para o teletrabalho e o “e-learning”, podemos concluir que o edifício isolado, tão diabolizado nas políticas atuais de ordenamento do território, poderá afinal ser o edifício do futuro, bem mais integrado e com menores impactos no meio ambiente.

 

Será altura, talvez, para começar a refletir sobre esta potencial inversão total nos paradigmas do ordenamento do território. É claro que alguns dirão que é impossível, mesmo como o teletrabalho, o “e-learning”, o correio eletrónico e muito mais, desligar o edifício da malha urbana. O abastecimento alimentar, por exemplo? Como poderemos deixar de ir ao supermercado para nos abastecermos?

 

Talvez ainda falte um longo caminho, de facto, para essa autonomização total da habitação. Mas os céticos tomem nota: Na Índia as “pizzas” já são entregues por drones!…

 

Armando Silva Afonso é professor da Universidade de Aveiro e fundador e atual presidente da direção da ANQIP (Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais).

TAGS: Comentário , Armando Silva Afonso , edifícios zero , ordenamento do território , eficiência energética e hídrica
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