Comentário de Manuela Synek: Arte por São Cristóvão

04.07.2016

Se tiver oportunidade, nestes dias quentes do início do Verão, desafio-o a dar uma espreitadela à Igreja de São Cristóvão no bairro da Mouraria. Vai ficar surpreendido com o que vai encontrar no seu espaço interior. Trata-se de uma instalação de peças contemporâneas em ferro, material de eleição do escultor Rui Chafes. Este é um terceiro momento incluído num ciclo de quatro iniciativas no mesmo espaço de uma exposição, que pretende dar a conhecer o projeto de reabilitação da Igreja, integrada no projeto do Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa Arte por São Cristóvão, comissariada por Paulo Pires do Vale.

 

Três das seis esculturas têm o nome Ascensão - o artista foi atraído pela beleza quase arcaica desta Igreja barroca, propiciando a descoberta de um lugar único. A partir de uma das janelas surge uma primeira obra metálica Estou pronto para nascer de uma presença gargular que lança um olhar para o exterior em todo o seu esplendor e convidando-nos a entrar.

 

Esta é a sua primeira grande intervenção artística num espaço religioso em Portugal, tendo realizado experiências desta natureza em igrejas na Europa, sinalizando um encontro entre espiritualidade e arte. Está na altura da igreja e a arte contemporânea se reencontrarem, diz o escultor. O seu caminho preferencial reside numa relação mais abstrata e universal. Conceitos como luz/escuridão e a ideia de peso e leveza marcam o presente momento. Na verdade, foi este espaço que chamou o meu trabalho, não foi ele que o procurou.

 

Manuela Synek é historiadora e crítica de arte.

TAGS: Comentário , Manuela Synek , espaço urbano , igreja de São Cristóvão
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