Comentário Filipa Montalvo:"Espaços de jogo e recreio para crianças deficientes”

13.11.2015

A tendência actual na projecção de espaços de jogo e recreio vai no sentido de se juntar o maior número possível de crianças num mesmo espaço, estimulando a interacção e o desenvolvimento de capacidades sociais.

Assim, estas áreas podem e devem ser pensados de forma a receber também crianças com mobilidade reduzida que se movam de cadeira de rodas, muletas ou andarilho, ou, serem receptivos a crianças invisuais.

 

Um parque infantil deve promover a aprendizagem aumentando as capacidades cognitivas dos seus utentes, promover a saúde física combatendo a obesidade e saúde emocional de forma alegre e em contacto com o ar livre. Promover a interacção social ajudando no diálogo entre gerações e nas insuficiências culturais, ajudando a combater o vandalismo e o preconceito e “obrigando” à convivência entre  crianças “aptas” e crianças com deficiência desenvolvendo-lhes a “inteligência emocional”.

 

É uma verdade que a grande maioria dos parques são pensados exclusivamente para crianças aptas sem qualquer tipo de deficiência motora ou cognitiva, mas com o crescente de sensibilidade no sentido da integração, é de crer que haverá uma mudança significativa nos parques do futuro.

O mercado oferece, quer em equipamentos quer nas demais unidades recreativas, baloiços e carroceis adaptados a cadeiras de rodas, módulos rampeados facultando fácil acesso, mesas de actividades, e, painéis e percursos sensoriais para crianças invisuais.

Brincar é uma forma lúdica de aprender. Quantos mais estímulos apresentar um espaço de jogo e recreio, maior o grau de aprendizagem com prazer e bem-estar.

 

Uma regra base em todo e qualquer projecto de Arquitectura ou Paisagismo, é a previsão de acessos fáceis, estruturados, onde a circulação possa ser feita de forma expedita e acessível a qualquer um, em qualquer direcção. No caso dos parques que se destinam a crianças ou jovens com mobilidade reduzida, devem também prever a ligação directa entre a entrada e todos os elementos recreativos, bem como, sempre que possível a cafetarias ou demais estruturas de apoio como cafetarias e instalações sanitárias preparadas para pessoas com estas características.

Deve ser considerado, fácil acesso a zona de parqueamento automóvel para pessoa com deficiência.

 

Além destes factores, a inclinação do percurso não deve ser superior a 6%, e fazer uso de um piso com textura e consistência que permitam fácil locomoção de uma cadeira de rodas, sem elementos soltos, respeitando a largura mínima útil de caminho de 1,60 metros em toda a sua extensão.

Nestes casos específicos de instalações integrativas, o uso do pavimento amortecedor de borracha deve ser um requisito a considerar, abrindo-se excepção a casos onde seja possível, pela altura de queda dos equipamentos, instalá-los num relvado compacto e com bom sistema de drenagem.

O mobiliário urbano de apoio, tal como bebedouros, papeleiras, bancos, mesas ou pontos de informação devem ser ergonómicos permitindo utilização facilitada a uma pessoa de cadeira de rodas. Por exemplo, o bebedouro deve ter duas bocas de água, uma acessível a pessoas com totais faculdades motoras e outra acessível a cadeiras de rodas. As mesas nunca devem ter uma altura inferior a 75 centímetros para que os joelhos encaixem comodamente sob a mesa e devem existir espaços livres de circulação em redor destes elementos.

Fazer o bem sabe bem e temos esse papel na sociedade. “Quão bela, quão intensa e libertadora é a experiência de aprender a ajudar o outro (…) Ninguém pode desenvolver-se se não se sente livremente nesse mundo, nem encontrar uma vida plena(…)”[*]

 

[*  Dr. Paul Tournier, M.D.]

 

Filipa Montalvo é arquitecta paisagista e responsável do Departamento de Orçamentação, Projecto e Departamento Comercial na Vedap

TAGS: comentário , Filipa Montalvo , crianças deficientes
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