Comentário João de Jesus Ferreira:"Greening the chinese economy"

30.10.2015

Quanto ao tema desta conferência " Greening the Chinese Economy " e sobre os objectivos do governo chinês para um desenvolvimento sustentável, gostaria de dizer que, pessoalmente, não gosto do termo "verde" ou "tecnologias verdes". Prefiro falar sobre eficiência ou eficácia para um melhor crescimento e para um mundo melhor.

 

O mundo não precisa de mais potência instalada; o mundo precisa de mais eficiência na utilização final da energia, cujo potencial em eficiência energética é de cerca de 25% do consumo total de energia final, correspondente a 2250 Mtep no mundo e a 430 Mtep na China. Esta quantidade de energia evitada, na China, corresponde a cerca de 200 centrais nucleares (3000MW cada) o que é brutal. A intensidade energética da economia (que dá uma ideia da eficiência energética) na China caiu 40% entre 1998 e 2007, o que é excelente.

 

China tem feito muito pela eficiência energética durante os últimos anos, e é a maior prioridade na estratégia de energia do país.

Desde a publicação do plano a médio e longo prazo para a conservação de energia em 2004, foram tomadas diversas acções para colocar China rumo ao desenvolvimento menos intensivo em energia. 

O 12º plano quinquenal (2011-2015) define um novo objectivo para a redução da intensidade energética em 2015, cerca de 16%, em comparação com o nível de 2010. China prevê investir 372 bilhões de dólares na eficiência energética e na luta contra a poluição, com vista a reduzir substancialmente o seu consumo de carvão em 300 Mt. 

O mais significativo programa de eficiência energética na indústria é chamado Top-10 000 que visa as 10 000 empresas que mais consomem energia, implementado no âmbito do 12º plano quinquenal.

 

No âmbito desse programa, as empresas designadas são obrigadas a nomear gestores de energia; a emitir relatórios sobre o consumo de energia; elaborar planos de conservação de energia; e alcançar as metas de redução do consumo de energia impostas. As 10 000 empresas representam cerca de dois terços do consumo de energia total no país e cerca de metade da procura de energia industrial. Apesar da intensidade energética na China ainda ser muito elevada (cerca de 5 vezes superiores à média europeia) os esforços que têm sido feitos estão produzindo bons resultados.

Acho que a China está no bom caminho.

 

João de Jesus Ferreira é engenheiro electrotécnico (IST), mestrado em Política, Economia e Planeamento de Energia (ISEG/IST), é administrador do grupo Vivapower e CTO (Chief Technology Officer) da Vivapower Selfenergy

TAGS: comentário , João de Jesus Ferreira , chinese economy
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