Comentário Luís Baptista Fernandes:"O fenómeno da feira popular"

10.11.2015

Há uns dias atrás conversava com uma miúda de 13 anos sobre a Teoria dos Corpúsculos, assunto que consta do Currículo do 8.º Ano da Disciplina de Físico-química. Por motivos que adiante se explicarão com maior detalhe estes ensinamentos parecem estar coincidentemente alinhados com a evolução da solução política encontrada para a futura localização da Feira Popular.

 

De facto foi formalmente anunciado, com pompa e circunstância, pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, naquilo que é designado pela sua terceira casa, o novo destino previsto:

Um terreno municipal em Carnide, com cerca de 20 Ha, junto à Estação de Metro da Pontinha.

A criação de um Parque Urbano, temático, de atrações ou simplesmente uma feira deve ser sempre, por princípio, motivo de regozijo e não nos alongaremos nos comentários se deve ter mais ou menos Rodas Gigantes, Montanhas Russas ou Rulotes de Farturas.


Aliás o que me importa mesmo é o fenómeno, diria corpuscular, associado às sucessivas promessas eleitorais de sediar num lado qualquer, mas em definitivo, a Feira Popular de Lisboa e que determinou que sucessivos executivos municipais tenham ficado reféns do conceito a ponto de se prometer fazer o que não se sabe o que será, nem quando será feito.

O interesse desta relação Química ou mesmo Metafísica com a Feira Popular tem que ver com a circunstância de aquela teoria definir os elementos básicos da matéria, cuja composição será assim formada por pequenos corpúsculos.

 

Estes, por sua vez, estão em movimento constante e entre eles existirão espaços vazios. Toda a matéria será assim formada, sejam Feiras Populares, lagos ou o ar que respiramos. A sua apresentação física aos nossos olhos, no estado sólido, líquido ou gasoso, dependerá apenas do espaçamento entre corpúsculos e daorganização interna dos elementos que a compõe. O mais curioso destes ensinamentos e a sua analogia com o processo político, é justamente a particularidade dos estados físicos dos elementos poderem variar com a subida ou a descida da temperatura. Todos sabemos que o gelo vira água se aquecido ou, o contrário, se água for refrigerada.

 

Estes processos de transformação física das coisas tem uma nomenclatura própria mas há um, em especial, que se aplica à Feira Popular em particular e que é quando determinado objeto de aspeto físico sólido e perfeitamente delimitado passa diretamente, pela ação do aquecimento, ao estado gasoso, volátil e de contornos difusos. A este chamam-lhe os químicos e, agora também os políticos, a Sublimação que é, em sentido figurado a exaltação, purificação ou engrandecimento.


Estamos portanto conversados e os Lisboetas certamente convencidos do fenómeno Feira Popular.


Luis Baptista Fernandes, é arquitecto, pos graduação em Planeamento Regional, Instituto Superior de Agronomia de Lisboa e director do Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística da Câmara Municipal de Oeiras

TAGS: comentário Luís Baptista Ferandes , feira popular
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