Comentário Manuela Synek: "Com o desaparecimento de Querubim Lapa o espaço público ficou mais pobre"

23.05.2016

Este pintor ceramista foi um dos artistas que mais se distinguiu no espaço urbano, com obra artística dispersa pelo país, sobretudo em Lisboa, através de murais, painéis cerâmicos no exterior e interior dos edifícios.

 

Dedicou-se à pintura mas era na cerâmica que se sentia livre. Conseguiu transformar visualmente a traça da arquitetura integrada numa centralidade urbana, animando as suas criações dum intenso poder cromático que se tornaram inconfundíveis no plano decorativo.

 

Conciliou as diferentes áreas, desde a pintura com a utilização de cores vibrantes à escultura. Na Escola de Campolide, com o seu nome, encontra-se um dos trabalhos mais importantes de 56.

 

Contudo, é na década de 60 que foram os anos de maior intensidade criativa. Trinta anos depois salientam-se um mural em Alcântara e os interiores do metro da Bela Vista. Explorou processos cerâmicos cada vez mais inovadores que culminaram em vastas composições de uma linguagem figurativa estilizada alcançando a abstração.

 

É na fusão destas duas tendências que nasceu das suas mãos uma produção coerente e consistente na cerâmica contemporânea. Há menos de um mês, o mestre tinha dado a sua última aula com o auditório repleto onde ainda desenhava pormenores que explicava as técnicas utilizadas.

 

Quando lhe perguntavam que explicasse um certo detalhe, respondia como uma expressão muito dele: Ah! isso era uma conversa que não mais acabava! Ficaram assim muitas histórias por contar num longo percurso de vitalidade imaginativa.   

 

Manuela Synek é historiadora e crítica de arte. A autora escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

TAGS: Comentário , Manuela Synek , espaço urbano , Querubim Lapa
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