O abandono da rede eléctrica é ainda uma utopia, dizem especialistas

APREN organizou debate sobre “a evolução do mercado da electricidade: contribuição das renováveis”

19.06.2015

O abandono da rede eléctrica é ainda uma utopia, dizem especialistasAPREN organizou debate sobre “a evolução do mercado da electricidade: contribuição das renováveis”19.06.2015

O abandono da rede eléctrica, um “sonho” gerado pela possibilidade de produzir energia de forma descentralizada armazenando-a, é ainda uma utopia, apesar dos últimos avanços tecnológicos, defendem os especialistas.

 

Os painéis solares fotovoltaicos aliados a baterias podem permitir atingir um nível de independência da rede entre os 40 e os 80 por cento, mas a evolução até aos 100 por cento já não é tão fácil, garante o director de planeamento e risco da EDP, Pedro Neves Ferreira.

 

A grande dificuldade está em “transportar energia do Verão para o Inverno. Esse salto de sazonalidade torna a opção de abandono da rede incomportável”, alerta.

 

O responsável foi um dos oradores do debate "A evolução do mercado de electricidade. Contribuição das renováveis", uma iniciativa da APREN - Associação de Energias Renováveis e Conselho Regional Sul do Colégio de Engenharia Eletrotécnica, que decorreu ontem à tarde na Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.

 

A ideia de se ficar independente da rede começa a esbater-se – “quando ligamos o interruptor contamos ter luz” - mas o que se prevê é "a forte redução do consumo na rede”, o que de resto já se verifica nos últimos anos.

 

Pedro Neves Ferreira considera que esta situação levará a novos desafios tarifários. A rede continuará a existir, mas provavelmente com custos de disponibilidade mais elevados para assegurar a sustentabilidade do sistema.

 

“Ter 100 por cento de electricidade em auto-consumo é muito caro”, reforça o presidente da APREN, António Sá da Costa. Os custos fixos da rede “se calhar vão ter que ser pagos por todos, não na factura da electricidade, mas pela sociedade, como é paga a rede de justiça e de educação”, adianta o dirigente.

 

António Sá da Costa lembra que apesar da retracção do consumo as redes e centrais, “que não são eternas”, continuarão a precisar de substituições e manutenções.

 

Por outro lado o presidente da APREN considera que o armazenamento de grandes quantidades de energia pode ser uma das grandes oportunidades da rede e é algo que ainda não está definido na lei.

 

Sá da Costa lembra que o armazenamento de energia não está apenas confinado às baterias de Elon Musk, recentemente lançadas para armazenamento de electricidade em casa. Há ainda um mundo a explorar na nanotecnologia, por exemplo, sublinha.  

 

Para Pedro Neves Ferreira o aprovisionamento de energia é o “Santo Graal” do sector. O armazenamento em grande escala permitirá dar o “grande salto” nas energias renováveis, sobretudo nas mais instáveis.

 

Ana Santiago

TAGS: energias renováveis , abandono da rede eléctrica , auto-produção , auto-consumo , produção descentralizada , electricidade
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