Opinião João Barreta: «Mercados Municipais – Quando os números podem dizer (quase) tudo»

20.01.2015

Nota prévia do autor: Este texto pretende ser um avanço de alguns dados, entretanto já apurados, em resultado, do inquérito enviado aos municípios sobre os mercados municipais. A informação que consta deste artigo constitui uma síntese do relatório preliminar do estudo (“Mercados Municipais – o(s) que temos, o(s) que queremos, no que cremos!”), ainda, em fase de elaboração.

 

Quando tão insistentemente se aborda a questão da economia nacional, da necessidade de fomentar o crescimento económico, da importância da economia local, da relevância do comércio de proximidade, entre outras evidências, parece esquecer-se que o discurso e a retórica pouco ou nada poderão fazer pelo futuro do “conjunto”.

 

No que se refere, em concreto, aos mercados municipais, julgo ser pouco provável que se consiga fazer algo em prol daquilo que se desconhece. Isto é, se localmente (entenda-se ao nível do município) o conhecimento dos mercados municipais é, digamos, algo deficitário, a nível nacional, o panorama é deveras desolador.

 

A gestão do formato afigura-se como o verdadeiro “problema”, desde que as autarquias reconheçam nos seus mercados um equipamento comercial, sendo que para tal há que saber se os mercados são a tradução efectiva de uma actividade económica local e de um formato comercial em pura concorrência com os restantes operadores ou se, por outro lado, os mercados continuam a representar aquilo que sempre terão assumido no passado e em que, por vezes, se chegou a confundir o seu papel económico com o papel social.

 

O estudo, em curso, assenta na realização de inquérito, remetido às autarquias (308), e cujas respostas (seu posterior tratamento e sistematização dos resultados) irão decerto permitir um conhecimento mais aprofundado e consentâneo com a realidade patenteada pelos mercados em Portugal.

 

A forma como o inquérito foi estruturado visa, igualmente, evidenciar um conjunto de áreas temáticas que interessa “dominar”, a saber, o equipamento, a oferta, a procura, a envolvente e o planeamento e a gestão.

 

Numa fase posterior, que se constituirá como corolário do estudo, a “classificação” das mais de cento e cinquenta questões que constam do inquérito-base, de acordo com as quatro perspectivas assumidas na metodologia do balanced scorecard (BSC) – financeira, clientes, aprendizagem e processos (não necessariamente por esta ordem), viabilizará, face ao teor e à natureza das respostas apuradas, a construção de instrumentos de planeamento/gestão para os mercados, facilmente aplicáveis a casos concretos que percepcionem nessas ferramentas tal mérito e potencialidades.  

 

O objectivo do presente texto é tão só dar a conhecer os grandes números relativos à realidade em estudo, bem como avançar alguma informação, já apurada, que permite diagnosticar alguns tópicos que se têm vindo a constituir como focos de discussão à volta do tema, mas quase sempre com base em informação, por vezes, pouco credível e não representativa.

 

Não tendo, para já, como objectivo a análise “técnica” dos dados recolhidos, tal reflexão e consequente exercício prospectivo, incluindo o desenho de instrumentos/metodologias que possam vir a facilitar o planeamento/gestão dos mercados, constituir-se-ão como diretrizes do estudo global em curso.

 

Os gráficos (abrir ficheiro anexo mais baixo) visam apenas ilustrar uma ínfima parte da realidade apurada com o inquérito realizado, deixando evidenciadas algumas questões, tantas e tantas vezes, apontadas ao “funcionamento” dos mercados em Portugal.

 

O panorama evidenciado, em especial pelos “grandes números”, independentemente de outras ilações susceptíveis de extrair, elucidará acerca de um vasto campo ainda por explorar no que diz respeito ao papel que os mercados, como equipamento comercial (mas não só!) poderão assumir no contexto de políticas de regeneração urbana, desejável e idealmente, no quadro do novo QREN. Mais do que o Capital, reforcem-se … as Vontades!

 

João Barreta é licenciado em Organização e Gestão de Empresas, Mestre em Gestão do Território e Técnico superior do Ministério da Economia.

TAGS: Opinião , João Barreta , mercados municipais em Portugal
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