Opinião João Gavião: «Passive House, uma solução para o NZEB»

26.06.2015

É sabido que a partir de 1 de Janeiro de 2019 e a partir de 1 de Janeiro de 2021, em relação aos edifícios públicos e particulares, respectivamente, teremos de pôr em prática os edifícios com necessidades quase nulas de energia ou Nearly Zero Energy Building (NZEB), de acordo com a Directiva Europeia sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD).

 

Em Portugal já existe uma definição para o NZEB, consta do artigo 16º do decreto-lei 118- 2013, mas não existe ainda uma definição quantitativa no que diz respeito ao desempenho energético dos edifícios novos e existentes. Infelizmente esta é uma situação comum na Europa.

 

De acordo com o Building Performance Institute Europe (BPIE) a definição do NZEB a nível europeu tem diferentes estados de desenvolvimento e de ambição, sendo identificado o facto de não haver uma definição mais precisa da performance energética exigida na EPBD como a maior dificuldade à harmonização das definições ao nível europeu.

 

Estamos a três anos e meio de ter de começar a implementar NZEBs. Já nem se poderá argumentar que ainda nos resta muito tempo. E também não poderemos, uma vez mais, cair no risco de estabelecer metas e objectivos pouco ambiciosos, para que tudo fique na mesma. Esta oportunidade deverá ser aproveitada para mudar de paradigma, para definitivamente se colocar Portugal no caminho da sustentabilidade energética.

 

A Passive House, como o mais elevado padrão de eficiência energética a nível Mundial e já com provas dadas em Portugal, tem aqui um papel crucial. A integração da produção local de energia na Passive House permite alcançar o balanço quase nulo de energia de uma forma óptima em termos de custo benefício.

 

Isto só é possível de alcançar pela conjugação das baixas necessidades energéticas do edifício à baixa potência necessária de produção e pelo reduzido acréscimo do custo de construção de uma Passive House em comparação com um edifício convencional, no máximo de 5%.

 

Fica aqui então a solução para o NZEB em Portugal: a Passive House Plus, de acordo com as classes estabelecidas pelo Passivhaus Institut e seguindo o exemplo de alguns países e estados europeus. A Passive House Plus entra em consideração com a produção local e renovável de energia, estabelecendo um limite máximo para as necessidades de energia primária renovável (PER), considerando o contributo das fontes renováveis de energia no factor de energia primária de cada país ou região, de 45 kWhPER/(m²*a) e um limite mínimo para a produção local de energia de 60 kWhPER/(m² implantação*a).

 

Nota: No cálculo das necessidades de energia os valores são obtidos em função da área útil, ao passo que na produção local de energia são obtidos em função da área de implantação, para não penalizar os edifícios de vários pisos que à partida terão uma menor área disponível para produção de energia solar fotovoltaica.

 

João Gavião é arquitecto na Homegrid e um dos fundadores da Associação Passivhaus Portugal.

TAGS: Opinião , João Gavião , Passive House , edifícios com necessidades quase nulas de energia , Nearly Zero Energy Building , NZEB
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