Opinião Luís Baptista Fernandes: «INSIDE»

05.01.2015

O inside é uma expressão comum utilizada pelos surfistas para localizar a zona a partir da qual a onda rebenta, ou seja o espaço entre a linha de rebentação e a praia propriamente dita.

 

Para um surfista, ficar no inside é o mesmo que se manter na rebentação, na espuma, ou não ter capacidade de ultrapassar a ondulação e, portanto, de apanhar as melhores ondas.

 

Começo este texto com uma analogia ao glossário surfista a propósito do recém-nomeado Estabelecimento Universitário de Surf School of Business and Economics, da Universidade Nova de Lisboa e que previsivelmente se virá a implantar em terrenos contíguos ao ex-Comando Operacional das Forças Terrestres (NATO), junto a Oeiras.

 

A iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Cascais e do Governo Português, para a instalação de uma das mais prestigiadas Instituições Universitárias portuguesas, deve ser motivo de regozijo para as populações, desde logo a estudantil mas, também, para todos aqueles que entendem que a qualificação do território se constrói através de ações como esta.

 

A especial localização do equipamento favorece também inequivocamente, para além dos estudantes surfistas, as relações com o Município de Oeiras, sugerindo que a sua génese tem um caráter intermunicipal. Mas não. Esta feliz coincidência nada tem de concertação intermunicipal, apesar do apoio do Estado.

 

Não se entende sequer que iniciativas com esta, não tenham a intervenção das CCDR´s que, por definição, deveriam ser o garante do Planeamento Regional.

 

De facto, o Planeamento Intermunicipal, de grande potencial, infelizmente não reconhecido, deve objetivar a articulação estratégica entre áreas territoriais que, pela sua interdependência, necessitam de cooperação integrada.

 

Os planos intermunicipais de ordenamento do território, em síntese, validam articuladamente, opções de desenvolvimento económico e social de municípios envolvidos.

 

Compreende-se, com relativa facilidade, as vantagens do estabelecimento de objetivos comuns de médio prazo, quando falamos de racionalização de recursos e a organização de redes de equipamentos e serviços públicos.

 

São igualmente válidos, neste domínio, as políticas ambientais, acessibilidade e mobilidade, distribuição de atividades turísticas ou industriais e, até, de povoamento.

 

Aquela virtuosa circunstância, não esconde todavia o desnorte das políticas de ordenamento supramunicipais e das respetivas tutelas que tardam em assumir-se como tal.

 

Quando pensamos num país carente de recursos e investimentos esta evidência faz, regressando à nossa metáfora inicial, toda a diferença em estar inside ou outside isto é, ter ousadia e a capacidade de agarrar os melhores projetos ou, usando a gíria do tema, surfar as melhores oportunidades e não depender de contextos ocasionais.

 

Luís Baptista Fernandes é director de Planeamento da Câmara Municipal de Oeiras. O autor escreve, por opção, ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 

   

TAGS: Opinião , Luís Baptista Fernandes
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